sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Epopeias à Chuva - Prova de Obstáculos

Ah….aqueles momentos do ano em que não está calor nem está frio, e que ainda ninguém desarrumou as roupas mais quentes e os casacos guardados na arrecadação.
Hoje foi um desses dias. Ao acordar deparei me com o excesso de trovões e a chuva que caía fez me reconsiderar se estaria ou não a sonhar com uma cena bíblica. Tive então de vasculhar o meu quarto em busca de algo que impedisse o meu iminente afogamento.
Durante os 5 minutos de busca frenética onde pontapeei a quina da cama, consegui encontrar o famoso chapéu de chuva sobrevivente. Calculei de seguida que talvez precisasse de algo mais, daí ter vestido o impermeável que, citando uma colega minha, assenta me tão bem como um saco de batatas. Encontrei também uns ténis que me pareceram minimamente adequados, já que não apresentavam buracos visíveis.
Após alguns momentos de extrema preparação psicológica, saí do elevador e porta fora, a chuva continuava a cair em proporções épicas. Deliniei rapidamente um plano de contenção envolvendo áreas menos ventosas e varandas onde me abrigar.



Abri o chapéu e comecei a minha jornada. Imediatamente percebi que tinha caído uma árvore no passeio, bloqueando a minha passagem habitual por baixo das varandas, forçando me a seguir pelo meio da estrada. Estava tudo a correr muito bem e por momentos pensei que ia ultrapassar a situação mas, ao chegar ao triângulo das bermudas (AKA zona em que todos os chapéus de chuva se transformam em obras de arte) fui atacada por ventos de proporções no mínimo katrinicas (isto é uma palavra? não pois não? Enfim...continuando).
Aí tudo descarrilou… o chapéu virou se em todos os ângulos possíveis e, enquanto o tentava conter, o meu cabelo descontrolou-se bloqueando totalmente o meu ângulo de visão. Optei então por fechar o chapéu de chuva e correr, o que se revelou difícil porque já tinha 3 litros de água em cada sapato. Mesmo fechado o chapéu de chuva insistia em virar-se, enquanto eu seguia na direcção de uma passadeira. Para não atravessar às cegas um mar de carros cheios de pais histéricos e atrasados decidi arranjar o cabelo. Nesses curtos segundos passou um carro por cima de uma poça que tomou a liberdade de me ajudar no banho.
Do outro lado da passadeira reparei numa senhora que olhava comovida e outra rapariga que se ria da minha gloriosa situação.
Corri então a caminho da escola, sapatos inundados, chapéu inutilizado e calças encharcadas que se colavam às minhas pernas, dificultando a circulação. Quando já estava a chegar o chapéu da rapariga que tanto se ria destruiu-se completamente, deixando a molhada e desamparada a recolher os bocados.
Nesse momento olhei para ela e….


Bonito não? Não? Ok então agora a sério, se calhar era isto que devia ter feito….mas na realidade:



Ok enfim…depois de tanta molha já pouco me importava, o resultado óbvio foi a minha chegada à escola como se tivesse sido transportada dentro de um chuveiro.
Depois vejo grupos de raparigas de calções e com outras roupas mínimas perfeitamente secas… como se mantêm secas? Não sei.
Como não têm frio nem se constipam? Também continuo sem entender. Tenho teorias, bastantes teorias

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